quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Luta tem que continuar!


Moção ENESSO

Nos da ENESSO, apoiamos a lutas dos estudantes da PUC Campinas, diante dos ataques que os mesmos vêm sofrendo da Reitoria.
Sabemos das condições da educação hoje em nosso país, e que esta tem sido usada cada dia mais precarizada e mercantilizada, sabemos também da dificuldade em se manter na universidade, sem assistência estudantil e condições mínimas para subsidiar os gastos que temos com transportes, alimentação, livros, Xerox e etc…
Por estes motivos apoiamos as lutas pelo transporte interno, redução no valor das Xerox, redução nos valores da cantina e autonomia do Movimento Estudantil, que foi violada no ato da Reitoria em trocar as fechaduras dos Centros Acadêmicos, sem qualquer acordo com os estudantes.

Pela Autonomia Movimento Estudantil!
Gestão: “Nada Será Como Antes: reconstruir o MESS pela base.”
2009/2010

Moção - História USP

O Centro Acadêmico de História da USP, entendendo-se como parte integrante de um movimento estadual e nacional contra a mercantilização, precarização e sucateamento da educação, pela melhoria das condições de assistência estudantil, promoção e garantia da qualidade do ensino, democratização do acesso e democratização das formas de gestão universitária, vem aqui prestar seu total apoio às mobilizações e paralisações dos estudantes do CCHSA da PUC – Campinas.
Saudações,
CAHIS – USP

Moção - Farmácia UFPR

MOÇÃO DE APOIO DO CENTRO ACADEMICO DE FARMÁCIA DA UFPR ÀS LUTAS NA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

O CAF-UFPR tomou conhecimento recentemente dos acontecimentos que empolgaram na última semana o Movimento Estudantil na PUCC. Entendemos ser este um momento histórico para as lutas nas Universidades Pagas, e não podemos deixar de prestar nossa solidariedade aos militantes que se empenham neste processo.
Viemos a público por meio desta moção não apenas deixar registrado nosso total apoio àquele movimento, mas também para somar forças nessa empreitada. Já não é de hoje os diversos ataques que os estudantes sofrem em suas escolas por parte das suas administrações. Assim como na PUCC, na nossa UFPR também já tivemos diversos episódios onde a força de uma administração superior covarde e inimiga dos estudantes ousou se erguer contrária aos interesses da comunidade estudantil, porém não sem encontrar resistência.
Hoje nos somamos à resistência na PUCC. Somamo-nos a essa luta por entender que a defesa de uma Universidade pública, gratuita e de qualidade, socialmente referenciada e laica é dever de cada militante do Movimento Estudantil. Somos cientes da dificuldade a mais representada aos colegas da PUCC pelo fato de estar, ao contrário da nossa, ser uma instituição privada e paga. Mas entendemos que se a luta for conjunta, e se cada estudante ousar ir contra a ordem vigente, não mais terá de pagar pelo ensino superior em nenhuma universidade.
O CAF é parceiro de todos e todas que lutam por uma educação decente em suas escolas. Colocamo-nos à disposição dos companheiros da PUCC para tudo o que estiver ao nosso alcance nessa que é apenas mais uma das muitas batalhas que juntos travaremos na luta por um sistema educacional que sirva aos interesses do povo, e não daqueles que exploram o povo.



Coordenação Geral do Centro Acadêmico de Farmácia da UFPR

Moção - Geografia UFF

“Sejamos realistas, exijamos o impossível” Ocupação da Sorbonne, Paris, maio de 1968

“O amanhã já é hoje” Ocupação da Reitoria da USP, maio de 2007

O Diretório Acadêmico do Curso de Geografia da UFF (DACG-UFF) vem, por meio desta, em nome dos estudantes de graduação em Geografia da UFF, demonstrar solidariedade à luta dos estudantes da PUC de Campinas, especialmente dos cursos de História, Filosofia, Ciências Sociais, Teologia, Pedagogia, Biblioteconomia e Serviço Social, que paralisaram as aulas do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, em greve contra o sucateamento e mercantilização da educação superior.
As lutas pela qualidade da educação superior nas universidades particulares é a luta de todos os estudantes! Que os estudantes da PUC de Campinas sejam vitoriosos na sua mobilização, fazendo avançar a luta geral por uma educação pública, gratuita, de qualidade, para todos e a serviço dos trabalhadores. Toda a pauta imediata construída nas Assembléias dos estudantes mobilizados em Campinas é justa, possível e necessária! Que sejam, então, atendidas, sem demora, por parte da direção da PUC que, mesmo lucrando com as mensalidades para lá de abusivas, não propicia boas condições de estudo para seus estudantes.
O processo que ocorre em Campinas se inscreve no processo geral de reorganização do movimento estudantil, que desde especialmente 2007 vem se fortalecendo e ampliando suas bases políticas, rompendo com as amarras que o prendia. A luta é possível, necessária. E a vitória, nós arrancaremos do amanhã! Força aos estudantes da PUC de Campinas, sua luta é nossa luta, sua vitória, é nossa vitória!
“A nossa luta, é todo dia! Educação não é mercadoria!”
DIRETÓRIO ACADÊMICO DO CURSO DE GEOGRAFIA DA UFF
Gestão 2009-2010 “Não vá se perder por aí…”

Moção - Comunicação PUC SP

Moção de apoio aos estudantes em greve da PUCCAMP
O Centro Acadêmico Benevides Paixão de Comunicação da PUCSP se solidariza à luta dos estudantes da PUCCAMP, especialmente dos cursos de História, Filosofia, Ciências Sociais, Teologia, Pedagogia, Educação Física, Biblioteconomia e Serviço Social, que paralisaram as aulas do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, em greve contra o sucateamento e mercantilização da educação superior.
Sabemos o quanto é difícil enfrentar não apenas os ataques à educação em uma universidade ligada à Igreja Católica, vivenciamos também diariamente uma árdua luta contra a repressão, mercantilização da educação e falta de democracia interna também na PUCSP.
O processo que ocorre em Campinas se inscreve no processo geral de reorganização do movimento estudantil, que desde 2007 vem se fortalecendo e ampliando suas bases políticas, rompendo com as amarras que o prendia. A luta é possível, necessária. E a vitória, nós arrancaremos do amanhã! Força aos estudantes da PUC de Campinas, sua luta é nossa luta, sua vitória, é nossa vitória!

Moção de Apoio

De:Grupo de Mulheres Pão e Rosas Marília/ Pão e Rosas de Campinas.

Todo o Apoio a Luta dos Estudantes da PUC-Campinas
Nós, do grupo de mulheres Pão e Rosas Marília, nos colocamos ao lado de nossas/os companheiras/os que se levantam contra a estrutura anti-democrática da Universidade e contra a burocracia da PUC-Campinas, que entre
outras coisas adota uma postura de descaso com os estudantes, desde políticas de permanência estudantil, que é inexistente, até o fato de terem o maior descaso com a segurança dos estudantes, que como
co
locam as/os companheiros/as da PUC-Campinas, estudam num prédio que hoje se localiza em um local sem iluminação nenhuma, assim colocam em risco todas/os os companheiras/os , mas é importante frisar que as companheiras são as que mais ficam sujeitas a casos de violência, principalmente sexual, assim como vem ocorrendo em várias outras universidades do país. Mostrando assim, claramente, o caráter antidemocrático das universidades. E a burocracia universitária, obviamente, em nenhum momento toma medidas diante disso. Mas, nós do Pão e Rosas não nos calamos diante desses absurdos! E gritamos em alto e bom som: Todo apoio as/os companheiras/os da PUC-Campinas! Abaixo a banalização da violência! Abaixo a estrutura de poder das universidades! Autonomia das entidades estudantis! Por uma verdadeira democracia universitária! Por políticas de permanência estudantil já!
E, nós, do Pão e Rosas de Campinas, fazemos coro com as nossas companheiras de Marília!Viva a luta do estudantes d
a Puc-Campinas!!

OBS:
Articulada pela Companheira Carol Bonomi, do CA de Ciencias Sociais.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nota do CAP da UNICAMP


" O CAP - Centro Acadêmico de Pedagogia da UNICAMP - em sua reunião Ordinária, decidiu apoiar a recente luta dos estudantes da PUC na integralidade de sua pauta. Entendemos que esta é mais uma ação de resistência legítima em defesa de uma educação voltada para os interesses das populações carentes. Este tipo de luta deve ser feita para marcar posição contrária à uma postura atual claramente mercadológica em relação à educação. Saudações estudantis!"

Maycon de Oliveira
CAP - Gestão "A Gente não quer só Comida"

Nota do CACS da PUC-SP

Nós, do CACS PUC-SP (Gestão Te Convido a LUTAR!),
reunidos(as) em reunião aberta de Gestão, deliberamos apoiar a luta dos estudantes de C.Sociais, S.Social, Biblioteconomia, história, Filosofia, Teologia, Pedagogia e Ed. Física da PUC-Campinas, no que diz respeito à defesa de suas reivindicações.
Repudiamos o ato da Reitoria, que sem discussão democrática prévia com a comunidade acadêmica, transferiu os estudantes para um lugar sem as mínimas condições estruturais. Exigimos que a Reitoria revogue tal ato, garantido todas as reivindicações dos estudantes.
A defesa da melhoria das condições básicas de estrutura, transporte e refeição das universidades é também a defesa do ensino superior público e de qualidade.
Saudações estudantis
CACS PUC-SP

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nota da Diretoria do Centro Acadêmico

Acerca do episódio ocorrido nesta 4ª noite de estudos da faculdade de Filosofia, pelo qual o evento foi encerrado em seu decurso, o Diretório do Centro Acadêmico vem esclarecer que a manifestação estudantil não tinha intenção de prejudicar o andamento de nosso evento ou tratar com violência os seus participantes.
O ato manifesto é decorrente da estrutura falha que temos em nosso novo prédio, da falta de democracia e liberdade perpetrada pela direção do CCHSA contra os estudantes e suas demandas, bem como do monopólio das empresas de fotocópias e de artigos alimentícios nas novas instalações do Centro.
Em nenhum momento houve a intenção de banalização da manifestação por atos violentos. O cancelamento da palestra é um fato isolado de inteira responsabilidade do pró-reitor da Universidade e do Diretor da Faculdade de Filosofia, mostrando a não disposição para o diálogo. Nota-se que o intento de invadir o auditório foi repensado após diálogado com o CAFil e com a recusa deste de apoiar tal ato antes do término da palestra. Também é válido salientar que o CAFil apóia inteiramente a manifestação e coloca-se a disposição para o diálogo e para a luta. Nosso parecer foi de que o movimento entrasse no auditório após o encerramento da palestra, pacificamente, como fora combinado.
Mais uma vez, reiteramos nosso apoio às bandeiras de luta do movimento estudantil da PUC Campinas e deixamos claro o nosso descontentamento com o encerramento da palestra antes de seu término.
Fraternalmente

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

XXII Semana Filosófica

Está definida oficialmente a programação da Semana Filosófica da PUC-Campinas, que este ano traz como tema o Idealismo Alemão. Todas as atividades serão realizadas no Auditório Dom Gilberto - Campus 1, sempre a partir das 19h20. Confira a seguir as datas e palestrantes:

Dia 31/08 - Segunda-feira
"Idealismo Alemão - Abordagem Panorâmica"

Palestrante:
Dr. Romualdo Dias - UNESP

Mesa:
Dr. Pe. Paulo Sérgio L. Gonçalves - Dir. Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas;
Dr. Pe. José Antonio Trasferetti - Dir. Faculdade de Filosofia


Dia 01/09 - Terça-feira
"Kant e o Idealismo Alemão"

Palestrante:
Dr. José Luis Sigrist - UNICAMP

Mesa:
Dom Bruno Gamberini - Arcebispo Metropolitano de Campinas e Grão Chanceler da PUC-Campinas;
Dr. Pe. José Antonio Trasferetti - Dir. Faculdade de Filosofia


Dia 02/09 - Quarta-feira
"Hegel e o Idealismo Alemão"

Palestrante:
Dr. José Antonio Vieira - UNIPAR

Mesa:
Dr. Newton Aquiles von Zuben - Docente da Faculdade de Filosofia


Dia 03/09 - Quinta-feira
"Filosofia Contemporânea e o Idealismo Alemão"

Palestrantes:
Drª. Contança T. Marcondes Cesar - PUCCAMP
Drª. Vânia Dutra de Azeredo - PUCCAMP
Dr. Wilson Frezzatti - UNIOEST
Dr. Ivo da Silva Junior - UNIFEST
Dr. Edmílson Pascoal - PUC-Paraná

Mesa:
Dr. Germano Rigacci Junior - Pró-Reitor de Graduação da PUC-Campinas e Docente da Faculdade de Filosofia

Dia 04/09 - Sexta-feira
Noite Cultural, organizada pelo CA Pe. José Narciso Vieira Ehremberg

Retorno às Atividades - 2º Semestre

Sim, amigos! Depois de duas prorrogações por conta da gripe A, as aulas voltaram pra valer hoje. Estamos em um novo prédio - que ainda carece de algumas melhorias na estrutura de apoio e temos novas companhias: estamos agora no mesmo espaço dos estudantes de Educação Física, Pedagogia, Serviço Social, Biblioteconomia, Ciências Sociais... É o CCHSA tomando forma.

Essa mudança de local gera na gestão do CA uma necessidade de repensar o planejamento das atividades programadas para este ano, especialmente a confecção do jornal "Reflexão Filosófica". Explicamos: no nosso planejamento inicial, a captação de recursos para a publicação seria feita sob a forma de patrocínios das lojas e lanchonetes da praça de alimentação. Como estamos distantes demais daquele grande espaço de convivência, aqueles estabelecimentos não teriam interesse em anunciar no nosso jornal. Isso nos força a planejar uma nova estatégia de arrecadação, que será definida na próxima reunião da diretoria do CA.

Há um outro fato que faz esse segundo semestre diferente pra todo mundo: recomeçar as atividades já na metade de agosto. Isso implica uma mudança no cronograma da Universidade, que deve prolongar o término das aulas para o dia 21 de dezembro, conforme nos relatou hoje em sala o Pró-Reitor de Graduação Prof. Dr. Germano Ricacci Jr.

Desejamos a todos um bom reinício das aulas e informamos que a direotira do CA já encaminhou conversa com a Direção da Faculdade de Filosofia com o objetivo de buscar uma solução para a área de convívio dos estudantes no complexo do CCHSa, que por agora só oferece uma opção de cantina - o que dificulta o atendimento de todos os que usam o prédio.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Passe Universitário

No dia 27 de maio de 2009 acontecerá um ato muito importante para a comunidade estudantil de toda a região de Campinas. Na Câmara Municipal de Campinas será votado o projeto de lei que instaura o passe estudantil. O projeto, se aprovado, reduzirá as tarifas do transporte público em 60% para universitários e estudantes de cursinho pré-vestibular. O valor da passagem de ônibus cairá de R$ 2,50 para R$ 1,00.
É importante ressaltar alguns pontos sobre essa questão. A região de Campinas tem m dos maiores adensamentos de universitários do Brasil. Somente na PUC Campinas e na Unicamp são cerca de 60.000 estudantes. Muitos deles são provenientes de várias cidades do estado, e vários de outros estados do país. Outro ponto é que os estudantes até o ensino médio possuem esse direito, mas perdem quando entram para o ensino superior. Por quê? Qual a razão que leva a prefeitura e as empresas de ônibus a tirar esse direito dos estudantes?
Constituímos um dos maiores grupos de nossa região. Muitos de nós temos de trabalhar para pagar a faculdade, moramos em repúblicas e moradias universitárias. Sobrevivemos com ajuda de custo que o governo oferece ou bolsas concedidas pelas universidades. É um absurdo o valor cobrado pelas empresas de ônibus, não só dos universitários, mas de toda a população.
É nosso dever como estudante apoiar esse projeto e reivindicar maiores direitos, ou melhor, reclamar pelos direitos que temos, mas não são garantidos pelos órgãos públicos.
O Centro Acadêmico de Filosofia apóia o vereador e estudante do segundo ano de filosofia Peterson Prado, em seu projeto, apresentado em pareceria com o vereador Antonio Flores. É uma de nossas contribuições para que se torne acessível o ensino universitário para todos.
Convocamos toda a comunidade universitária de Campinas a comparecer ao plenário de Câmara Municipal, nesta quarta-feira (27/05) às 18h30, para mostrar aos vereadores a real necessidade de aprovarem este projeto. O endereço é Av. da Saudade n.º 1004, Ponte Preta - Campinas SP CEP:13041-670 Telefone (19) 3736-1300.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Palestra Ensino da Filosofia

Acontecerá no próximo dia 18 de maio, segunda-feira, às 10h00min, no Auditório Dom Gilberto Pereira Lopes, do Campus I, uma palestra com o tema: "O Ensino da Filosofia: Uma Alternativa Didático-Pedagógica para o Ensino Médio." Com a profa. Lídia Maria Rodrigo, membro do corpo docente da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

É de grande importância a sua participação, tanto para a faculdade quanto para a sua formação acadêmica. Venham todos presenciar esse evento de nossa Faculdade de Filosofia.

Secretaria do Centro Acadêmico

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Popularização da Filosofia

Juiz de direito em São Paulo.
Praticamente todos os estudantes tiveram como disciplina escolar a filosofia, mas pouquíssimos continuaram dedicando-se a estes estudos ou desenvolveram alguma profissão ligada ao mundo filosófico. Isto porque há uma tendência pré-conceituada de que filosofia é um tema sem função prática e concreta, que não é importante no nosso mundo materialista moderno. Ledo engano, a filosofia é importantíssima hoje em dia como foi e será no futuro, seja qual for o caminho que nossa civilização tomar, uma vez que se originou, suporta-se e se desenvolve no poder de pensar do ser humano. O filosofar é intrínseco do homem, fazendo parte de sua vida, não podendo ser separado de sua existência.
A filosofia é a essência de todo o nosso pensar e conseqüentemente de nosso agir, não podendo assim estar fora de nosso cotidiano. A reflexão filosófica está presente em todos os atos de decisão que tomamos, mesmo que inconscientemente, mesmo que não percebamos. Qualquer atitude que tomamos é baseada em decisão que por sua vez levou em consideração nosso poder de pensar, refletir, ponderar, ou seja filosofar.
A filosofia surgiu na antiguidade grega e era uma forma de procura de paz interior, posteriormente ficou restrita a iniciados, em universidades. No século passado ganhou as clínicas psiquiátricas com a finalidade de curar os desajustes emocionais. Até então a filosofia vem sendo usada por psiquiatras e psicólogos como exercício de cura de enfermidades mentais, são os chamados filósofos clínicos. Na religião também vemos a filosofia ter seu espaço importantíssimo, utilizada que é para decifrar os caminhos da fé, das crenças e do pensar religioso dos homens. É a filosofia religiosa dando impulso à compreensão do místico, das crenças, da força criadora etc.
Já a necessidade de se entender a complexidade da vida moderna cada vez mais regida pelos reflexos do fenômeno da globalização, tem trazido inquietude mental à milhões de pessoas que são expostas a informações
e conceitos que não lhes dizem respeito diretamente e que acabam sendo incorporadas a sua cultura, regendo suas vidas. Isto está trazendo a necessidade de reflexão sobre o cotidiano dos novos tempos, do significado desta vida moderna, surgindo dessa forma campo propício ao ressurgimento da filosofia, mas desta vez para o questionamento filosófico sobre o nosso "modus vivendi", a nossa vida agora. Afinal, o fenômeno da globalização tem-nos afastado da nossa natureza humana, já que a tecnologia avançada e as máquinas estão tomando nosso espaço com milhões de desempregados pela "robotização", milhões sofrem pelos conflitos gerados pela rapidez de mudança dos costumes propiciada pela comunicação instantânea e a insatisfação de termos que fazer coisas impostas pela mídia importada de países economicamente mais fortes. É a insatisfação muitas vezes inconsciente gerada pela imposição da cultura alheia. Isto propicia campo ao surgimento desta nova forma de filosofia, a filosofia moderna do cotidiano.
Assim, por este e outros inúmeros motivos surgiram na França os famosos "cafés filosóficos" nos anos noventa do século passado, alastrando-se por várias partes do mundo. Nestes locais pessoas de todas as faixas etárias e das mais variadas profissões discutem os problemas cotidianos, gerando um excelente e eficaz exercício de reflexão filosófica, que muitas vezes dão origem a ações ou movimentos de cidadania. Em algumas universidades já há uma postura mais aberta em relação a filosofia, propiciando a divulgação de obras filosóficas mais acessíveis ao público leigo com divulgação do tema ao público em geral.
Portanto, ao contrario do que muitos pensam, a filosofia está presente em nosso dia-dia e é de suma importância para o exercício da cidadania, pois sem reflexão filosófica nossas atitudes podem ser direcionadas por regras impostas e sem sentido, comprometendo nossa consciência com prejuízos inclusive psíquicos. A neurose sem dúvida é um dos reflexos de nossa existência impensada. Dessa forma, a filosofia está cada vez mais viva e deve fazer parte de nosso mundo como ferramenta imprescindível para uma postura crítica perante as situações que se apresentam, aliás cada dia mais complexas e difíceis de se entender, daí porque a popularização da filosofia como ciência
e modo de reflexão da vida moderna deve ser incentivada e desenvolvida por todos. Pensem nisso.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A Filosofia como vocação para a liberdade


-Senhor Diretor, Senhores Pró-Reitores, Estimados membros componentes desta Mesa, Caros colegas, estudantes e funcionários, Queridos amigos.

Em 1967, depois de defender uma dissertação de mestrado sobre Merleau-Ponty, fui contratada como professora do Departamento de Filosofia e, em outubro daquele ano, fui enviada à França como bolsista para completar minha formação, sob a orientação de Victor Goldschmidt. Seguindo, portanto, a tradição de nosso Departamento, eu deveria finalizar meus estudos de pós-graduação numa universidade francesa e iniciar as pesquisas de meu doutorado sob a supervisão daquele que também fora orientador de vários de meus professores brasileiros.


Mas havia uma pedra no meio do caminho. Não feriu minhas retinas cansadas, como acontecera ao poeta, mas levou-me a percorrer outras sendas. A pedra foi maio de 1968 e tudo o que ano de 1968 significou mundo afora, de Paris a Praga, de São Paulo a Berkeley, do Paralelo 27 ao Araguaia.


Para uma jovem brasileira, que deixara um país esmagado pela ditadura e no qual a esquerda apenas clandestinamente cochichava, pouco antes de ser dizimada pelo terror de Estado, a experiência de maio de 1968 permaneceria indelével, um marco no pensamento, na imaginação e na memória. Pertenço, pois, à geração de que fez seu aprendizado político nos acontecimentos da Primavera de 1968, isto é, quando uma brecha se abriu e parecia possível a reinvenção do político.


Em outubro de 1968, como um dos efeitos de maio, abriram-se as portas de uma universidade nova, uma universidade crítica na qual se reuniam e debatiam as esquerdas do mundo inteiro, dos anarquistas aos comunistas, dos socialistas aos trotskistas, dos social-democratas aos maoístas. Nascia a Universidade de Vincennes. No dia Primeiro de Outubro, ouvimos a aula inaugural proferida por Herbert Marcuse. No início da tarde, Michel Foucault iniciou um curso que antecipava o que viria a ser a Microfísica do poder. No final da tarde, Deleuze deu início ao seu curso sobre Espinosa. Eu estava em Vincennes no dia em que suas portas se abriram com a promessa da reinvenção da universidade.


Podem todos imaginar minha emoção e, mais do que isso, que tenha ficado estupefata quando a Universidade de Paris VIII propôs e me concedeu o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia. Como, em minha vida de estudante engajada, eu poderia imaginar que um dia voltaria a Vincennes para receber uma tão grande honra?


Mas não só isso. Se me sinto profundamente tocada pela honra que me fizeram é porque pertenço a um Departamento de Filosofia instituído por uma missão francesa de que faziam parte Martial Guéroult e Jean Maugüé, no qual fui aluna não somente de professores que foram alunos de Guéroult e de Maugüé, como o professor Lívio Teixeira, mas também de Gilles Gaston Granger, Michel Debrun e Gerard Lebrun; e de um Departamento ao qual retornou um de seus primeiros professores, Claude Lefort, que seria para mim fonte constante de inspiração e de estímulo para meu trabalho. A honraria que recebi me torna grata aos meus professores franceses, mas também faz com que eu me sinta dividida entre a surpresa e a alegria de me ver colocada ao lado deles, como se eu tivesse realizado um trabalho acadêmico que me tornasse seu par.


Neste momento, não posso deixar de recordar os versos finais de Rilke nas Elegias de Duíno, quando escreve:

E nós, com a felicidade,
Que em nosso pensamento é uma ascensão,
Teríamos uma emoção, vizinha do espanto, que nos agarra
Quando uma coisa feliz despenca sobre nós.


Sei que nos dias que correm a filosofia é considerada uma profissão entre outras. Com freqüência, tenho me perguntado por que me dediquei à filosofia.



Algumas vezes, julgo que ela me chamava desde o final de minha infância, de que tenho quatro recordações muito vívidas. A primeira delas é a de abrir um livro de minha mãe sobre filosofia da educação e em cujo primeiro capítulo – cujo conteúdo esqueci inteiramente – descobri duas palavras cujo sentido não compreendi, mas que ficaram em minha mente anos a fio: Sócrates e maiêutica. Somente na adolescência, durante o ciclo colegial, quando o professor João Villalobos ministrou um curso de lógica, aprendi o que significavam essas palavras, que volta e meia eu pronunciava pelo prazer de seu som. A segunda lembrança é a de abrir um livro de meu pai sobre introdução à psicanálise e descobrir que havia algo chamado inconsciente e um fato espantoso, chamado complexo de Édipo. Evidentemente, nada entendia sobre psicanálise, mas fiquei fascinada com o escândalo do que li. Lembro-me de haver tentado explicar o inconsciente e o complexo de Édipo a minha amigas do colégio das freiras e de vê-las horrorizadas, dizendo-me que eu deveria ir imediatamente me confessar e comungar para me livrar do horrível pecado contido em tais pensamentos. Mas não me confessei. Estava encantada demais com a descoberta para renunciar a ela. A terceira lembrança situa-se por volta de meus onze anos, quando li o primeiro romance. Era Quo Vadis. Li, reli, tresli, sabia de cor algumas passagens e particularmente o início, que me intrigara. De fato, logo nas primeiras linhas, é narrado que Petrônio estivera num festim no palácio de Nero e ali discutira com Lucano e Sêneca sobre a existência ou não da alma nas mulheres. E toda vez eu me perguntava como era possível alguém fazer essa pergunta, pois era evidente que as mulheres possuem alma. Na época, eu não sabia que devia essa certeza ao cristianismo, mas também não sabia que a simples admissão de alma nas mulheres não lhes havia adiantado muito. A quarta lembrança está em ter aberto um outro livro da estante de meu pai, intitulado Socialismo utópico e socialismo científico. Agora, algo decisivo me aparecia, mesmo que eu não tivesse compreendido quase nada do que lia. Aparecia-me com clareza que a luta pela justiça, pela igualdade e pela liberdade não era uma luta moral, nascida do espírito da caridade, mas uma ação política consciente determinada pela própria história. Era possível uma sociedade nova, justa e igualitária não simplesmente por causa de nossa indignação diante da injustiça e da desigualdade, mas porque era possível compreender suas causas e destruí-las.



Outras vezes, porém, penso que o entusiasmo pela filosofia nasceu das aulas de João Villalobos, que ministrou a uma classe de adolescentes de dezesseis anos um curso de lógica, em cuja primeira aula, sem qualquer aviso prévio, expôs o conflito entre Parmênides e Heráclito e, na segunda, a diferença entre a argumentação de Zenão e a de Górgias. Fiquei boquiaberta (e deslumbrada) com o fato de que o pensamento era capaz de pensar sobre si mesmo, que a linguagem podia falar de si mesma, que perceber e conhecer poderiam não ser o mesmo. O mundo se tornava, ao mesmo tempo, estranho, paradoxal e espantoso e a descoberta da racionalidade como problema parecia abrir um universo ilimitado no espaço e no tempo.



Outras vezes, porém, penso que fui para a filosofia quando, no final da adolescência, não podia tolerar a cultura da culpa em que fomos criados e sentia que era preciso encontrar uma outra ética em que a liberdade e a felicidade pudessem identificar-se – essa procura iria conduzir-me a Espinosa.



Talvez por causa dessas lembranças não posso considerar a filosofia uma profissão entre outras. Penso que quem busca a filosofia como forma de expressão de seu pensamento, de seus sentimentos, de seus desejos e de suas ações, decidiu-se por um modo de vida, um certo modo de interrogação e uma certa relação com a verdade, a liberdade, a justiça e a felicidade. É uma decisão existencial, como nos aparece com tanta clareza nas primeiras linhas do Tratado da emenda do intelecto, de Espinosa. Essa decisão intelectual, penso, não é possível a menos que aceitemos aquilo que Merleau-Ponty chamou de "nossa vida meditante" em busca de uma razão alargada, capaz de acolher o que a excede, o que está abaixo e acima dela própria. Essa decisão, penso também, não é possível se não admitirmos com Espinosa que pensar é a virtude própria da alma, sua excelência.



O desejo de viver uma existência filosófica significa admitir que as questões são interiores à nossa vida e à nossa história e que elas tecem nosso pensamento e nossa ação. Significa também uma relação com o outro na forma do diálogo e, portanto, como encontro generoso, mas também como combate sem trégua. Encontro generoso porque, como nos diz Merleau-Ponty, no diálogo somos libertados de nós mesmos, descobrimos nossas palavras e nossas idéias graças à palavra e ao pensamento de outrem que não nos ameaça e sim nos leva para longe de nós mesmos para que possamos retornar a nós mesmos. Mas também combate sem trégua, porque, como explica Espinosa, embora nada seja mais alegre e potente do que a amizade e a concórdia, os seres humanos são mutáveis, somos passionais e naturalmente inimigos, excitamos discórdias e sedições sob a aparência de justiça e de eqüidade. Por isso, diz ele, precisamos evitar os favores que nos escravizarão a um outro e somente os que são livres podem ser gratos uns aos outros, experimentando em sua companhia o aumento de sua força de alma, isto é, a generosidade e a liberdade.



Por pensar a filosofia como um modo de vida tecido no diálogo generoso e no combate, o combate político-filosófico me pareceu exigido num país mergulhado no terror do Estado. De fato,voltei ao Brasil em 1969, no momento que, sob o AI-5, as lutas revolucionárias estavam vencidas e a ditadura e o terror de Estado passavam à sua fase mais aguda e sombria. A Faculdade de Filosofia da rua Maria Antonia fora destruída pelo incêndio e as bombas do Comando de Caça aos Comunistas e fôramos jogados em barracões no campus universitário. Vivíamos no medo permanente, nunca sabendo se estaríamos vivos no dia seguinte, se nossos amigos e estudantes teriam desaparecido, sido presos, torturados, mortos ou exilados. Nossos professores haviam sido cassados e éramos vigiados e censurados dentro e fora da universidade. Precisávamos praticar a filosofia como crítica do instituído, mas fazê-lo tomando como símbolo a divisa de Espinosa "Cautela!". Foi sob o signo da crítica da ditadura, do autoritarismo e da ideologia da segurança nacional que, durante os anos de 1970, escrevi meu doutorado e minha livre-docência sobre Espinosa, encontrando em sua obra um pensamento que interroga seu contrário, que vai até o fundo mais profundo da origem do medo e de seus efeitos: a superstição, a tirania e a servidão, cujas contradições exigem o trabalho da interrogação que se abre para a verdade e para a liberdade porque nasce do desejo de verdade e de liberdade.



A filosofia como diálogo e combate foi algo cujo sentido também aprendi no correr daqueles anos com Claude Lefort, descobrindo com ele o sentido do político como lógica do poder e não como pura relação de força e o sentido da democracia como conflito legítimo, como indeterminação e criação temporal, isto é, como invenção histórica e criação de direitos, e como recusa do poder incorporado, isto é, da identidade entre o saber, a lei e o poder.



Data também desses anos meus primeiros esforços para compreender as lutas operárias. Sob a inspiração do historiador Michael Hall, aprendi a buscar na história do movimento operário, em suas lutas e suas formas de consciência, em sua autoformação e autonomia, o lugar de onde o novo poderia efetivamente surgir. Sob o signo da história, pude compreender que o autoritarismo estrutura a sociedade brasileira na qual vigora a violência sob formas invisíveis e impalpáveis, indo do machismo ao racismo, do preconceito de classe aos preconceitos sexuais, naturalizando exclusões e desigualdades e escondendo sob a indivisão imaginária do verdeamarelismo as divisões sociais e as injustiças. Sob o signo da história e sob o signo da filosofia, compreendi que pode haver uma relação hipócrita entre a filosofia e política quando a primeira julga possuir as chaves da segunda e quando a segunda julga poder definir os princípios da primeira. Se participei com entusiasmo da fundação e constituição do Partido dos Trabalhadores foi justamente por ter presente, de um lado, a necessidade da crítica contínua à relação hipócrita entre filosofia e política e, de outro, por considerá-lo, à luz de meu o aprendizado histórico e filosófico sobre o sentido da política, uma criação histórica que foi o momento mais claro da invenção democrática no Brasil, na medida em que sua existência significou a recusa do autoritarismo social e político, que sempre forçou as classes populares a um papel subalterno.



A decisão filosófica guiou-me também, desde os anos de 1970, na luta contra a destruição da universidade pública e laica, destruição realizada sob várias formas pelo Estado brasileiro, sob os efeitos da sociedade administrada. O primeiro momento da destruição, ainda sob a ditadura, deu-se com a imposição da "universidade funcional", oferecida às classes médias para compensá-las pelo apoio à ditadura, oferecendo-lhes a esperança de rápida ascensão social por meio dos diplomas universitários. Foi a universidade da massificação e do adestramento rápido de quadros para o mercado das empresas privadas instaladas com o "milagre econômico". A partir dos anos de 1990, sob os efeitos do neoliberalismo, deu-se a nova fase destrutiva com a implantação da "universidade operacional", isto é, o desaparecimento da universidade como instituição social destinada à formação e à pesquisa, surgindo em seu lugar uma organização social duplamente privatizada: de um lado, porque a serviço das empresas privadas é guiada pela lógica do mercado; de outro, porque seu modelo é a empresa privada, levando-a a viver uma vida puramente endógena, voltada para si mesma como aparelho burocrático de gestão, fragmentada internamente e fragmentando a docência e a pesquisa. Essa universidade introduziu a idéia fantasmagórica de "produtividade acadêmica", avaliada segundo critérios quantitativos e das necessidades do mercado. Essa imagem da produção universitária tem sido uma das causas de sua degradação interna e de sua desmoralização externa, pois é uma universidade que despreza o pensamento e o ensino.



Nessa luta contra a degradação e a desmoralização da universidade, uma idéia da docência tem sido inspiradora para mim. Ela me foi dada por meu mestre Bento Prado. Com ele, descobri que o ensino é formador quando não é transmissão de um saber do qual nós seríamos senhores, nem é uma relação entre aquele que sabe com aquele que não sabe, mas uma relação assimétrica entre aquele cuja tarefa é manter vazio o lugar do saber e aquele cujo desejo é o de buscar esse lugar. Com Bento Prado aprendi o sentido de uma existência filosófica docente formadora, pois com ele aprendi que há ensino filosófico quando o professor não se interpõe entre o estudante e o saber e quando o estudante se torna capaz de uma busca tal que, ao seu término, ele também queira que o lugar do saber permaneça vazio. Há ensino filosófico quando o estudante também se tornou professor porque o professor não é senão o signo de uma busca infinita, aberta a todos. Em outras palavras, com mestre Bento Prado descobri o sentido da liberdade que preside ensinar e aprender.



Há pouco, disse que o desejo de viver uma vida filosófica significa admitir que as questões são interiores à nossa vida e à nossa história. É preciso, agora, acrescentar que as questões são apenas índices ou signos da indeterminação essencial de nossa experiência e que acedemos a uma vida filosófica quando essa indeterminação, por mais apavorante que seja, nos fascina e nos arranca de nós mesmos. Assim, quando falo em vida filosófica, penso nas palavras extraordinárias escritas por Merleau-Ponty no dia em que foi recebido no Collège de France, que me permito reproduzir aqui, citando o Elogio da Filosofia:



A filosofia e o ser absoluto não estão acima dos erros rivais que se opõem no século; esses erros não são erros da mesma maneira e a filosofia, que é a verdade integral, tem a tarefa de dizer o que pode integrar de cada um deles [...]. O absoluto filosófico não tem sede em parte alguma, nunca está alhures, mas é para ser defendido em cada acontecimento [...]. Ao final de uma reflexão que, de início, o afasta, mas para melhor fazê-lo experimentar os laços de verdade que o prendem ao mundo e à história, o filósofo encontra, não o abismo do si ou do saber absoluto, mas a imagem renovada do mundo e dele próprio plantado nela, no meio dos outros [...]. O filósofo é o homem que desperta e fala, e o homem contém silenciosamente os paradoxos da filosofia, porque para ser inteiramente homem, é preciso ser um pouco e pouco menos homem.



Resta, porém, explicar por que aceitei a honraria francesa e as generosas homenagens de meus colegas, amigos, estudantes e funcionários brasileiros.


Um leitor dos primeiros parágrafos do Tratado da emenda do intelecto há de se surpreender que eu as aceitasse, pois Espinosa afirma que nós nos perdemos de nós próprios e dos outros quando consideramos um bem supremo, entre outras coisas, as honras. Todavia, o leitor paciente há de esperar alguns parágrafos seguintes, quando o filósofo também afirma que as honras são boas quando as desejamos com moderação. A honra é uma paixão alegre, que fortalece nossa potência de existir, pensar e agir.



No entanto, sou eu, agora, que me pergunto por que aceitei essa honra. Para essa indagação, possuo duas respostas, uma delas psicológica ou biográfica e uma outra, política.



Conta minha mãe, que, em 1946, visitou nossa pequena cidade interiorana um pianista polonês que deu um concerto. Depois de tocar esplendorosamente por mais de uma hora, o pianista levantou-se e indagou se havia na platéia quem tocasse piano e convidava os pianistas locais a tocar algumas peças. Embora houvesse no público três professoras de piano e algumas alunas adolescentes, ninguém se apresentou. Para surpresa e pavor de minha mãe, eu, com cinco anos de idade e recém-iniciada no piano, levantei-me, fui ao palco e toquei Danúbio Azul, numa versão simplificada. O que minha mãe, a platéia e o pianista jamais souberam foi o motivo de eu ter ido executar infantilmente o Danúbio Azul. Longe de ser a pretensão de alguém que se julgava pianista, dirigi-me ao palco porque não pude suportar que o pianista polonês convidasse alguém para reunir-se a ele naquilo que amava fazer e que ninguém se juntasse a ele, deixando-o solitário no palco. Foi o sentimento de sua enorme solidão que me levou ao piano.



Se narro esse episódio é porque, e aqui vem minha resposta política, num mundo acadêmico hegemonicamente masculino, considero intolerável a solidão das mulheres e por isso, ao ser chamada ao palco da honra, nele subi para que nele também estejam as mulheres.



Num ensaio belíssimo, chamado O silêncio das romanas, o helenista e romanista Moses Finley nos lembra que as mulheres de Roma não possuíam nome próprio, pois seus nomes eram apenas os de suas famílias escritos no feminino. Dessas mulheres, escreve Finley, não possuímos nada, sequer uma carta, um poema. Possuímos apenas as inscrições em suas lápides, nas quais pais, maridos e filhos dizem que foram filhas, esposas e mães extremosas e amadas. Penso que a homenagem que hoje me é feita faz parte do reconhecimento do nome próprio das mulheres, e que ao aceitá-la, contribuo para diminuir nossa solidão.



Num comovente ensaio, Um quarto para si, um ciclo de conferências dedicado à relação entre as mulheres e a literatura, Virgínia Woolf propõe uma ficção. Imaginemos, diz ela, que Shakespeare tivesse tido uma irmã e que ela, como ele, fosse extremamente inteligente, sensível, bem dotada para as humanidades, talentosa para a poesia e para a dramaturgia. Enquanto ele recebia uma educação propícia a desenvolver seu talento, ela era treinada nos afazeres domésticos e na preparação para o casamento. Quando ele partiu para Londres, ela deveria partir com um marido. Inconformada, fugiu também para Londres. Ali, porém, não conseguiu publicar seus poemas nem encenar suas peças, não tinha abrigo, comida nem agasalho para os dias de frio. Numa noite de inverno, encolhida e na mais profunda solidão, ainda jovem, morreu na neve, ignorada por todos e de todos desconhecida. E escreve Virgínia:



A irmã de Shakespeare, da qual ninguém fala, vive ainda. Ela vive em vós e em mim e em inúmeras outras mulheres que não estão presentes aqui esta noite porque estão lavando os pratos ou ninando seus filhos. Mas ela vive, pois os grandes poetas não morrem jamais, são presenças eternas; apenas esperam a ocasião para aparecer entre nós em carne e osso. Hoje, creio, está em vós o poder de dar essa ocasião à irmã de Shakespeare. Eis minha convicção: [...] se tivermos 150 libras de renda e um quarto só para nós, se adquirirmos o hábito, a liberdade e a coragem de escrever exatamente o que pensamos, se conseguirmos sair da sala-de-estar e ver os humanos não apenas em suas relações uns com os outros, mas também com a realidade [...], então se apresentará a ocasião para que a irmã morta de Shakespeare tome a forma humana a que teve tantas vezes de renunciar. [...] Mas não há que esperar sua vinda sem esforço, sem preparação de nossa parte, sem que estejamos resolvidas a lhe oferecer um novo nascimento, a possibilidade de viver e de escrever. Mas eu vos asseguro que ela virá, se trabalharmos por ela e que trabalhar assim é coisa que vale a pena.



A honra e a homenagem que hoje tão generosamente me são feitas são o reconhecimento de que é possível tirar as mulheres da solidão para vê-las dar vida à irmã de Shakespeare.


Muito obrigada.


Marilena Chaui